domingo, 16 de junho de 2013

Didaché: um documento atual com dois mil anos




Didaqué significa “ensino”, “instrução” ou “doutrina”, sendo conhecida como A Instrução dos Doze Apóstolos ou Doutrina dos Doze Apóstolos.
Trata-se de um documento de grande valor histórico e teológico. Pode-se afirmar que se trata do primeiro catecismo cristão.
O documento foi mencionado pelos grandes pensadores cristãos dos primeiros séculos e por escritores antigos, nomeadamente por Eusébio de Cesareia, que viveu no século III, no seu livro "História Eclesiástica", mas a descoberta desse manuscrito, na íntegra, em grego, num códice do século XI, mais concretamente do ano de 1056, ocorreu somente em 1873 num mosteiro em Constantinopla, atual Istambul. .
È consensual que foi elaborado na Palestina ou na Síria. Existem estudiosos que consideram que foi elaborado entre os anos 60 e 70 da nossa era, antes da destruição de Jerusalém pelo exército romano, no ano 70, na sequência da revolta judaica.
Fazendo referências às Escrituras do Antigo e do Novo Testamentos, a Didaqué retrata a tradição viva das primeiras comunidades, que proclamavam o Evangelho como mensagem de amor, de justiça e de retidão para toda a Humanidade.
A Didaqué está dividida em duas partes, uma doutrinária e outra litúrgica, o que nos permite um conhecimento mais profundo da vivência do cristianismo primitivo.
Por isso, pode inspirar os cristãos dos nossos tempos, nomeadamente no caminho de valorização do que é a essência da mensagem cristâ. 
A preocupação do relacionamento com o mundo, a importância de uma fé esclarecida, a valorização do testemunho, a importância dos sacramentos e da oração e a necessidade da vivência comunitária da fé são aspetos tão prementes no nosso tempo como o eram no século I. 
A Didaché é um desafio a todos os cristãos e a todos os seres humanos de boa vontade para que se empenhem na concretização dos valores da paz, da liberdade e da amor para toda a Humanidade.

O futuro que queremos


The Earth seen from Apollo 17.jpg

No dia 5 do presente mês, assinalou-se o Dia Mundial do Ambiente, uma oportunidade privilegiada para refletir sobre a relação entre Humanidade e o meio ambiente na qual está inserida.
Nas últimas décadas, temos assistido a uma crescente consciencialização de que o atual modelo de desenvolvimento das sociedades é insustentável. Das alterações climáticas à destruição das florestas tropicais, passando pela extinção maciça de espécies, são cada vezes mais evidentes os efeitos negativos dos nossos padrões de vida sobre o nosso planeta.
Com efeito, o modo como vivemos atualmente representa um peso cada vez maior sobre o planeta.  
Ao longo das últimas décadas do século XX e dos primeiros anos do presente século, foi ocorreram diversos acontecimentos que marcaram a consciencialização progressiva da Humanidade para o paradigma do desenvolvimento sustentável, segundo o qual o modelo de desenvolvimento adequado é aquele que satisfaz as necessidades das gerações atuais sem comprometer a capacidade das futuras gerações poderem satisfazer as suas próprias necessidades.
A primeira grande manifestação de preocupação dos poderes públicos a nível mundial com as questões ambientais teve lugar em 1972 com a realização em Estocolmo da Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, tendo como finalidade delinear o direito da pessoa humana a um ambiente saudável.
Em 1980, a organização não governamental União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais publicou a Estratégia de Conservação Mundial, na qual estabelece uma estreita interligação entre o futuro da humanidade e a proteção dos recursos do nosso planeta. Neste documento, surge pela primeira vez o conceito de desenvolvimento sustentável. Em 1893, foi criada a Wordl Comission on Environment and Development, que publicou quatro anos depois o Relatório "O nosso futuro comum", também conhecido como relatório Brundtland, que representa um passo significativo para a definição de uma agenda global para a mudança de paradigma no modelo de desenvolvimento. A primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente e Desenvolvimento, decorreu na cidade do Rio de Janeiro em 1992, tendo aprovado uma agenda para o meio ambiente e o desenvolvimento para o século XXI, a denominada Agenda 21.
Nas últimas duas décadas, realizaram-se diversas conferências internacionais sobre a questão ambiental.
Em 2012, realizou-se no Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas sobre o desenvolvimento Sustentável, também conhecida por Rio+20, que aprovou a Declaração “O Futuro que queremos”, um documento programático que oferece uma base para o bem-estar social, económico e ambiental da Humanidade.
Contudo, os resultados práticos têm ficado aquém das expectativas, em termos de definição e de implementação de políticas públicas. 
Com efeito, as implicações estratégicas da crise ambiental raramente são analisadas e continuam a ser um tema incómodo.
Em outubro de 2003, o Pentágono, o Ministério de Defesa norte-americano, promoveu a elaboração de relatório designado “Um Cenário de Mudança Abrupta do Clima e Suas Implicações na Segurança Nacional dos EUA”. Contudo, a sua análise e as suas propostas foram consideradas inconvenientes pela administração do Presidente George W. Bush e o documento foi colocado na prateleira.
O documento analisava as consequências geopolíticas das alterações climáticas, nomeadamente a escassez de alimentos,-como resultado da redução da produção agrícola a nível mundal, a diminuição de disponibilidade de água potável e o aumento de problemas no acesso aos recursos energéticos.
O efeito global das mudanças climáticas seria a redução significativa da população humana que o planeta pode suportar. Além disso, o relatório acrescenta:
“Á medida que se reduz a capacidade biótica máxima e global, podem aumentar as tensões no mundo, levando a duas estratégias fundamentais: defensiva e ofensiva. As nações com recursos para o fazer podem construir fortalezas virtuais à volta dos seus países, preservando recursos para si próprias. As nações menos afortunadas, especialmente as que têm inimizades antigas com os seus vizinhos, podem desencadear lutas pelo acesso aos alimentos, a agua limpa ou a energia. Podem formar-se alianças improváveis, à medida que as prioridades de defesa mudam e que a meta são os recursos para a sobrevivência  em vez da religião, da ideologia ou da honra nacional.“
O relatório do Pentágono foi inovador na aceitação de que as mudanças climáticas, uma das principais dimensões da crise ecológica contemporânea, poderá  conduzir a uma queda da capacidade do planeta de sustentar a Humanidade.  
Por conseguinte, é essencial fazer uma mudança decisiva no sentido do desenvolvimento sustentável, não apenas porque é a coisa certa a fazer mas também porque é do nosso melhor interesse a longo prazo, proporcionando um futuro de esperança para as gerações atuais e vindouras.