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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

População, recursos e desenvolvimento sustentável


O aumento da população humana é frequentemente referido como um dos principais problemas atuais da Humanidade.
Com efeito, a população humana está a crescer a um ritmo exponencial e a consequente exploração dos recursos naturais gera sérios problemas, como o aumento do efeito de estufa, a redução da camada de ozono, a redução da qualidade do ar, a limitação dos recursos hídricos, e o declínio da biodiversidade.
As preocupações ambientais não podem estar dissociadas da evolução da população humana do planeta.
A via mais adequada para controlar o crescimento da população e as suas consequências ambientais é a promoção do desenvolvimento sustentável aos mais diversos níveis: local, regional, nacional e global.
O desenvolvimento sustentável pode ser definido como o desenvolvimento adequado para satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades. Significa possibilitar que as pessoas, agora e no futuro, alcancem um nível satisfatório de desenvolvimento social e económico e de realização humana e cultural, fazendo, ao mesmo tempo, um uso razoável dos recursos do planeta e preservando as espécies e os habitats naturais.
O percurso para o desenvolvimento sustentável assenta em três dimensões:
- A sustentabilidade ambiental consiste na manutenção das funções e componentes do ecossistema, de modo sustentável, podendo igualmente designar-se como a capacidade que o ambiente natural tem de manter as condições de vida para as pessoas e para os outros seres vivos, tendo em conta a biodiversidade e a sua função como fonte de energias renováveis.
- A sustentabilidade económica, enquadrada no âmbito do desenvolvimento sustentável é um conjunto de medidas e politicas que visam a incorporação de preocupações e conceitos ambientais e sociais. Aos conceitos tradicionais de economia, são adicionados como fatores a ter em conta, os parâmetros ambientais e sociais, criando assim uma interligação entre os dimensão económica, ambiental e social. Assim, a evolução da economia não é somente medida na sua vertente financeira, mas igualmente na vertente ambiental e social, o que potencia uma gestão mais correta das matérias-primas e dos recursos humanos. Há ainda a incorporação da gestão mais eficiente dos recursos naturais, de forma a garantir uma exploração sustentável dos mesmos.
- A sustentabilidade sócio-politica centra-se na prossecução de uma sociedade coesa e equitativa. É um veículo de humanização da economia, e, ao mesmo tempo, pretende desenvolver o tecido social nos seus componentes humanos e culturais.
A energia é uma das questões essenciais na abordagem do desenvolvimento sustentável. Os países desenvolvidos e os países emergentes utilizam maioritariamente energia oriunda dos combustíveis fosseis, nomeadamente o carvão, o petróleo e o gás natural. No entanto, este modelo energético não é sustentável. Os recursos energéticos acima mencionados são ilimitados, dado que as previsões atualmente disponíveis fazem presumir um esgotamento dos recursos que é da ordem dos 40 anos para o petróleo, dos 70 anos para o gás natural e dos 200 anos para o carvão, dos três o mais poluente. Além da limitação dos recursos, demvem ser colocadas as consequências ambientais da sua utilização intensa.
O problema das alterações climáticas resulta em grande parte da emissão de dióxido de carbono, resultante da queima de combustíveis fósseis e pode ter como resultado o aumento da temperatura média do planeta entre 1,3 e 5,8 graus Celsius até ao final do presente século.
Este aumento de temperatura terá implicações ao nível das águas do mar, que pode colocar em perigo vários milhões de pessoas, um degelo acentuado e um agravamento dos fenómenos atmosféricos extremos, afetando os ecossistemas do nosso planeta.
Um modelo de desenvolvimento mais sustentável passa pela exploração de novas fronteiras nas áreas energéticas, promovendo o forte potencial das energias renováveis: energia hídrica, energia eólica, energia geotérmica, energia das marés e das ondas.
Um modelo de desenvolvimento mais sustentável passa também pelo território, por promover novas formas de urbanismo e novos modos de mobilidade, mais eficientes em termos de energia e com menor impacto ambiental, bem como por uma atitude inteligente de proteção e valorização dos recursos naturais e do património cultural.
Por fim ,a contribuição para o desenvolvimento sustentável pode ser efetuado da nossa atuação como cidadãos mais esclarecidos e atentos, optando por produtos ecologicamente mais adequados, como por exemplo os produtos alimentares oriundos da alimentação sustentável.

domingo, 6 de novembro de 2011

O bebé sete mil milhões e o futuro do nosso planeta


No dia 31 de outubro, segundo a Organização das Nações Unidas, nasceu o bebé sete mil milhões.
A Organização das Nações Unidas escolheu simbolicamente uma criança filipina, Danica May Camacho, nascida com 2,5 quilogramas pouco depois da meia-noite em Manila, como o bebé sete mil milhões. ~
A menina, cujo nome significa “estrela da manhã”, contará com uma bolsa que visa assegurar o seu acesso à educação e os pais vão receber ajuda financeira para poderem abrir um estabelecimento comercial.
Se 2011 for o ano certo para este novo marco, a população mundial então terá aumentado mil milhões de habitantes em apenas 12 anos. Os primeiros mil milhões assinalaram-se em 1804 e os demais saltos deram-se em 1927 (123 anos depois), 1960 (33 anos) e 1974 (14 anos), 1987 (13 anos) e 1999 (12 anos).
Após a explosão demográfica do século XX, o ritmo de crescimento está a abrandar. Mesmo assim, a população mundial deverá chegar aos oito mil milhões, dentro de 13 anos, em 2024, a 9,3 mil milhões em 2050 e aos 10 mil milhões em 2100, segundo as projeções da ONU.
O crescimento populacional ocorrerá quase exclusivamente no mundo em desenvolvimento. Com efeito, os países ocidentais, nomeadamente dos países europeus, estão a envelhecer e têm um crescimento populacional reduzido, enquanto os que ainda estão por desenvolver permanecem jovens e a crescer, nomeadamente os países onde as mulheres ainda têm muitos filhos – 39 países em África, nove na Ásia, seis na Oceânia e quatro na América Latina.
A China poderá deixar de ser o país mais populoso do mundo, em meados do atual século. Em 2050, a Índia irá ultrapassar a China, tornando-se o país mais populoso do mundo, com 1.748 milhões de habitantes. Quanto à China, enfrentará a médio prazo o problema do envelhecimento. Atualmente, ainda tem a maior fatia de população ativa do mundo (74,5%), o que tem sido um fator decisivo para o seu extraordinário crescimento económico das últimas décadas. Mas esse período está a acabar, por causa da política de filho único seguida desde a década de 1970.
A China, atualmente em primeiro lugar, com 1.338 milhões de cidadãos, descerá para o segundo, com 1.437 milhões. E os Estados Unidos da América conservarão a terceira posição, passando de 310 para 423 milhões de habitantes.
Quanto ao grande rival da Índia, o Paquistão, sobe do sexto para o quarto lugar, tornando-se o país muçulmano mais populoso, com 335 milhões, e trocando de posição com a Indonésia, que se deverá ficar pelos 309 milhões.
Já o Brasil, com uns previstos 215 milhões, cede o quinto lugar no pódio à Nigéria, que deverá chegar aos 326 milhões, e é relegado para a oitava posição, atrás do Bangladesh, para o qual se admitem 222 milhões.
A Rússia deixa de constar da lista dos dez países mais populosos do mundo, pois a sua população deverá decrescer dos atuais 142 milhões para 140,8 em meados de 2025 e 126,7 em 2050. E o mesmo acontece com o Japão, que de 127 milhões desce para uns meros 95 milhões.Os lugares de russos e japoneses, respetivamente o nono e o décimo, passam para países africanos, respetivamente a Etiópia e a República Democrática do Congo.
O enorme crescimento da população mundial desde o século XVIII, quando começou a Revolução Industrial, é uma das causas mais significativas para a mudança radical da relação entre a Humanidade e o sistema ecológico do nosso planeta.
O impacto do crescimento populacional seria significativamente menor, se o consumo médio de recursos naturais fosse menor, se as tecnologias utlizadas para a exploração dos recursos atrás mencionados fossem substituídas por tecnologias melhores e ecologicamente mais eficientes e se promovesse um modelo de desenvolvimento económico que tivesse mais em conta a coesão social e a sustentabilidade ambiental.