Há setenta anos, decorreu a maior desembarque
de todos os tempos, que marcou o inicio da libertação da Europa Ocidental da
tirania do totalitarismo nacional-socialista.
No dia 6 de junho de 1944, uma terça-feira,
cerca de cerca de 200.000 militares, provenientes de 8 países (Estados Unidos da
América, Grã Bretanha, França, Austrália, Luxemburgo, Noruega, Nova Zelândia e Polónia),
desembarcaram nas praias arenosas da Normandia, no norte da França, ocupada
pela Alemanha nazi desde 1940.
Passado pouco mais de onze meses, em 8 de
maio de 1945, os dirigentes da Alemanha nazi assinavam a rendição incondicional
perante os Aliados ocidentais e a União Soviética, que teve igualmente um papel
fundamental no desfecho da guerra. Entretanto, em 30 de abril, Adolf Hitler, o
homem que tinha prometido um Reich de mil anos, tinha suicidado, na fase final do maior conflito armado da História da
Humanidade, que provocou mais de 55
milhões de mortos.
Muitas vezes, questiona-se como seria o mundo
se o Dia D tivesse sido um fracasso para os Aliados.
Para além da análise contra factual de
diversos historiadores, merece menção a narrativa do escritor britânico Robert Harris no seu
romance “Fathlerland”-
Na sua obra, Harris refere um Reich alemão
vitorioso que domina toda a Europa, incluindo a Grã Bretanha e a parte europeia
da União Soviética. O Leste do continente passa a estar sob jurisdição direta
do Reich Alemão. Na Europa Ocidental, os diversos países são na prática transformados
em estados vassalos.
Os Estados Unidos da América permanecem como
a única potência capaz de contrabalançar o imperialismo nazi, sobretudo depois
da sua vitória sobre o Japão. Por conseguinte, os países da Commonwealth passam
a estar integrados na esfera de influência americana.
Mas, para os europeus, a democracia e o
Estado de Direito são suprimidos e o totalitarismo torna-se o pilar da
organização social e política. Existem rumores de que os onze milhões de judeus
europeus, oficialmente deslocalizados para o Leste, foram na realidade
exterminados, mas são poucos os que ousam colocar questões incómodas, com
receio da repressão impiedosa e brutal do Reich.
Sem dúvida que o nacional-socialismo e a Segunda Guerra Mundial continuam a ser dos temas mais apetecidos pela historiografia
contemporânea, suscitando acaloradas polémicas e dividindo estudiosos. A
dimensão das ambições imperialistas alemãs pode ser incluída, obviamente, no
seio destas polémicas. A política de controlo e domínio da Europa seria, para
prioritária a Alemanha nazi, até porque o controlo da Europa asseguraria uma
posição geopolítica fundamental a nível mundial.
Ao pilhar os países europeus, desperdiçar
a sua força de trabalho em massacres inúteis e não oferecer nenhuma opção aos
povos dominados que não a dominação, o nazismo não conseguiu extrair, do
continente, tudo o que poderia em termos de força militar, o que facilitou a
sua derrota pelos Aliados. Na sua brutalidade, na sua violência gratuita, estava
a semente da sua destruição e da resistência que milhões de homens e mulheres
efetuaram, muitos deles com o sacrifício da sua própria vida.
Mas da luta e da resistência, nos tempos mais
sombrios, emergiu um sonho. O sonho de uma nova Europa baseada em valores como
a paz, a liberdade, a democracia, o Estado de Direito, a tolerância e a
solidariedade. O sonho de um mundo em que os seres humanos possam viver livres
do medo e da miséria material e espiritual.
Passados setenta anos, temos a responsabilidade
de contribuir para a concretização do seu sonho.
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