quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A meditação e a descoberta do Divino



A meditação é um conjunto de práticas que visam a transformação interior da pessoa humana e a sua proximidade com Deus.
Demasiadas vezes, as nossas mentes e os nossos corações estão inquietos. As nossas mentes estão abarrotadas de sentimentos e pensamentos: memórias, projetos, medos, preocupações, desejos, angústias e frustrações.
Mesmo quando chegamos a ter um tempo de silêncio, o ruído e a atividade frenético da vida quotidiana não deixam de estar presentes. Pode existir silêncio externo, mas não o silêncio interior.
Não raras vezes, a ausência de silêncio e de paz interiores levam-nos a fazer coisas que realmente não queremos fazer e a dizer coisas que não devemos dizer.
A meditação é uma maneira privilegiada de promover a paz interior, esvaziando a nossa mente de todos os pensamentos e sentimentos.
A meditação, sobretudo associada às religiões orientais, nomeadamente o hinduísmo, o budismo e o jainismo, também desempenha um papel relevante nas correntes místicas do Cristianismo, que foram, não raras vezes, desvalorizadas e marginalizadas.
Os primeiros eremitas cristãos no Egito, na Palestina e na Síria retiraram-se para o deserto, seguindo o exemplo de Jesus, em busca de Deus.
Para eles, o primeiro passo foi a hesychia, ou o silêncio interior. Eles fizeram isso principalmente através da repetição da denominada Oração de Jesus: “Senhor Jesus, tem misericórdia de mim”. Às vezes, estava associada à prática de exercícios respiratórios, que visavam acalmar o coração e a mente.
Como um exercício espiritual, a hesychia tem sido praticada no Cristianismo ortodoxo até aos nossos dias.
Alguns místicos ocidentais adotaram e adaptaram a meditação. Existem monges que tem adotado formas de meditação através de mantras.
Um crescente numero de cristãos têm encontrado a paz interior através da prática conhecida como "oração centrante”.
As religiões orientais têm uma longa experiência na prática da meditação. Por exemplo, o Yoga envolve o foco em movimentos rítmicos  e no controlo da respiração, enquanto a mente está focada numa palavra, um objeto ou num som
O principal exercício religioso no Budismo, especialmente no Budismo Zen, é a meditação, no qual o foco é a respiração.
Os místicos do Islão, os sufis, têm a prática de repetição de palavras ou frases, por vezes combinados com exercícios respiratórios especiais.
O que eles têm em comum todas essas práticas é o foco no centro de atenção ou numa coisa: uma palavra, um som ou a respiração. O foco ajuda a esvaziar a mente de tudo o resto.
No âmbito de meditação, a pessoa, independentemente da sua filiação religiosa, espiritual ou filosófica, progride quando vai além do pensamento, dos conceitos, das imagens e do raciocínio, e entra num estado de consciência profundo ou e num modo de perceção forte, caracterizada por um profundo silêncio.
No Antigo Testamento, o profeta Elias afirmou ter descoberto que Deus não estava no vento, no terremoto ou no fogo, mas no silêncio de uma brisa suave.
O Mestre Eckhart, um dos principais místicos da Idade Média, afirmou um dia o seguinte: "nada é mais semelhante a Deus do que o silêncio."

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